Notebook com preço errado vira caso de polícia no interior de São Paulo

SÃO PAULO - Vários consumidores registraram boletim de ocorrência contra a rede atacadista Makro, em Ribeirão Preto, a 330 quilômetros da capital paulista, nesta terça-feira. Eles alegam que a loja se recusou a vender um notebook pelo preço anunciado no jornal de ofertas da rede. O jornal de publicidade da rede Makro anunciava o preço de R$ 899 e muitos consumidores acordaram cedo no feriado para garantir um lugar na fila. O mesmo anúncio gerou protestos e reclamações também na região de Bauru.

O computador de 4GB de memória, 250 de disco rígido e tela de 14 polegadas foi anunciado no folheto, que chegou por mala direta na casa dos consumidores, por R$ 899. A oferta seria válida até 4 de maio. Em letras bem menores, aparecia que o produto custava 12x de R$ 206,26 a prazo. Quando os consumidores chegaram na loja, uma errata na porta dizia que na verdade o preço à vista da mercadoria era R$ 1.899.

O metalúrgico Maicom Mortol saiu de Porto Ferreira, a 90 quilômetros de Ribeirão Preto, e foi um dos primeiros a chegar.

- Conversei com a gerente, ela disse que a ordem era para não entregar nenhuma peça, que foi um erro deles e que não era o valor correto - afirmou.

A operadora de caixa Silmara Aparecida Lunardelo recebeu o jornal em casa e queria comprar o computador para o marido.

- Eles poderiam ter mandado outro jornal com o preço correto - diz.

Nenhum computador foi vendido pelo preço anunciado. Em nota, a assessoria de imprensa da rede Makro informou que houve erro no valor do notebook publicado no encarte especial de Dia das Mães - o preço correto do produto é de R$ 1.899. A assessoria afirma que já tomou todas as medidas legais junto aos órgãos de defesa do consumidor e utilizou alguns dos principais veículos de comunicação do país, além de seus canais internos, para informar o valor correto aos consumidores.

O diretor da Associação de Defesa do Consumidor (Adecon), Luiz Alberto Mattos, afirma que nesses casos o consumidor deve mesmo registrar um boletim de ocorrência de preservação de direitos.

- A publicidade enganosa é um crime que pode dar de 3 meses a um ano de prisão, além de multa. A partir do momento que a empresa não fez a errata como está determinado na lei, ela tem que cumprir a oferta - afirmou.

De acordo com Mattos, o erro da publicação não é justificativa para a loja deixar de entregar o produto.

- A errata tem que ser feita da mesma forma como ela fez a publicidade - afirmou.

Outros dois produtos também estavam com os preços errados. Uma TV de 42 polegadas que estava por 12x de 216,15, na verdade custava 12x de 248,73. O outro produto é também uma tv só que de 37 polegadas, mas essa na verdade custava menos do que o anunciado. Ao invés de 12x de 217,12, o produto custava 12x de 205,29.

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